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Lemon tree

Depois de muito tempo querendo assistir esse filme consegui finalmente. Acredito que existem várias maneiras de interpretá-lo, a que mais me tocou, talvez até pela minha crescente descrença no gênero humano, foi a da incapacidade das pessoas de olharem para o outro, crendo, dessa maneira, que o único julgamento válido é o que se faz e assim limões são só limões. Não interessa que talvez, para Salma (Hiam Abbass), palestina viúva que herdou do pai uma plantação de limões e dela tira sustento, as árvores tenham história, façam parte da sua vida como fizeram o pai, o marido e como fazem os filhos e o senhor que a ajuda no cultivo e cuidado com as plantas.

 O fato é que, devido à mudança do Ministro da Defesa israelense (Doron Tavory) para uma casa ao lado da sua e de acordo com a declaração das Forças Armadas Israelenses de que a plantação de limões seria uma ameaça à segurança do Ministro, sugere-se a retirada dos mesmos oferecendo uma indenização à proprietária que de maneira bastante corajosa recusa, não só o dinheiro, como a possibilidade de destruírem suas árvores. E mais, Salma vai até a última instância para que seu desejo seja respeitado.

 Não vou tocar na questão Israel e Palestina, Árabes e Judeus, que já está bastante batida embora ainda bastante presente, não é disso que quero falar. O que me fez pensar, o que me irritou o filme todo foi a falta de respeito com o que o outro constrói. Apenas os valores do mais forte é que parecem ter alguma importância, para que o Israel tenha segurança destrói-se a história, uma parte da vida, diga-se de passagem, de várias vidas e não para um bem maior, talvez assim fosse justificável, mas para um “bem” egoísta, por culpa de quem chegou depois e tem mais poder. E é o que vemos todos os dias em menor ou maior escala, por certo que não com limões.

 Mira (Rona Lipaz-Michael), esposa de Israel, parece ser a única consciente do grande ato egoísta e do endosso de seu marido, mas vale lembrar que ela pouco faz para que a situação seja outra, na realidade, mesmo que aparente ser uma mulher forte, é frágil e pouco consegue ajudar. Em contrapartida, a mulher palestina que aparenta fragilidade, mostra-se forte e dura, o que me fez lembrar de uma frase do filme Perdas e Danos: ‘As pessoas feridas são mais perigosas, pois sabem que podem sobreviver”. Salma sabe que vai sobreviver, e sabe que se não lutar vai perder o que lhe resta. Ela escolhe lutar porque é a única escolha que lhe cabe.

 Se tudo o que eu escrevi até agora não te convenceu a assistir esse filme, eu devo dizer que a fotografia é bastante bonita. E se você é do tipo que só assiste filmes de amor, eu devo dizer que há mais amor nesse filme do que nessas comédias românticas que se passam em Nova Iorque (nada contra, é verdade), com a diferença que o amor desse filme se apresenta sob vários aspectos e é um pouco mais grosso e duro, como na vida real. E com pessoas que não têm a capacidade de enxergar um palmo diante do nariz mesmo dizendo que o que faz é para um bem maior. Como disse, não é um filme sobre Israelenses e Palestinos, Judeus e Árabes, muçulmanos, é maior, é um filme sobre gente, independente da nacionalidade, da religião, dos ideais. Ah, vale lembrar também que ele é baseado em fatos reais.

Nome original: Etz Limon.
Ano/País:2008, Israel, Alemanha, França.
Diretor: Richard Curtis.
Duração: 106 min.
Roteiro: Eran Riklis.
Premiações: Prêmio de melhor filme segundo o júri popular no Festival de Berlim (2008).

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Simplesmente amor

‘Simplesmente amor”, vejam só vocês que incrível, é um filme de amor, mas amor em todas as suas formas, ou em quase todas. O filme não narra apenas uma história de amor, muito pelo contrário. Várias são as personagens e várias são as histórias, de maneira que se torna quase impossível não se identificar com, pelo menos, uma história contada. E, não só no papel de quem é traído, de quem é rejeitado, mas também como aquele que rejeita ou trai.

A palavra-chave de “Simplesmente amor” é  delicadeza. Delicadeza ao contar as histórias e na trilha sonora que é quase 50% do filme na minha opinião.A minha história preferida é a do Mark e ninguém vai ficar admirado se eu, manteiga derretida que sou, disser que essa é a mais bonita e que me faz chorar. Outras também me emocionam, mas nenhuma como essa.

Embora seja ambientado no natal é um filme para o ano todo. É para ser assistido em várias ocasiões, vejam: com sua namorada (namorado, ou par romântico de sua preferência) naquele friozinho de julho quando você não quer pôr um dedo fora de casa, com seu melhor amigo, com a sua mãe, com os irmão, com a família toda, só com o cachorro, e até acompanhado de um pote de Häagen-Dazs (o sabor fica ao seu critério) para aqueles dias em que se perdeu a fé no amor e no mundo.

Se você já assistiu esse filme sabe bem do que estou falando, se ainda não assistiu eu sugiro que se dê esse presente hoje. Ah, vale lembrar que naquelas bacias das Americanas ele pode ser encontrado  por módicos R$12,99. : )

Nome original: Love Actually.
Ano/País:2003,Inglaterra.
Diretor: Richard Curtis.
Duração: 134 min.
Roteiro: Richard Curtis.
Premiações: Ganhou o BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante (Bill Nighy) e foi ainda indicado em outras 2 categorias: Melhor Filme Britânico e Melhor Atriz Coadjuvante (Emma Thompson). Além deduas indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Filme – Comédia/Musical e Melhor Roteiro e uma indicação ao European Film Awards de Melhor Ator – Júri Popular Hugh Grant).

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Your eyes are full of hate, forty-one. That’s good. Hate keeps a man alive. It gives him strength.

o homem que o ódio ajudou a construir.foi o filme que eu mais assisti na vida, sem dúvida. nas minhas noites de insônia na época de moradia da unicamp, era o filme que ia parar no vídeo e quase sempre em companhia de uma pessoa que, à época, significava muito para mim.

Judah Ben-Hur é um príncipe judeu, contemporâneo a Jesus Cristo e suas histórias se desenrolam em paralelo, uma das coisas que eu mais gosto do filme é isso. e a história de Judah é a história da formação de um homem e em sua transformação diante das presepadas da vida, porque se somos frutos de nossas escolhas, somos também frutos das presepadas que essa vida nos apronta. e Ben-Hur perde um amigo e ganha um ódio mortal, ao ver toda sua família esfacelada por uma sucessão de acasos e pela decisão de seu amigo Messala.

o filme também fala de fé. fé em princípios e objetivos. ao ser mandado para o exílio, ele nunca pensa em desistir ou dar-se por vencido, de alguma forma ele voltaria e se vingaria do ex-amigo. encasquetou isso na cabeça e foi, sabendo que de algum modo voltaria e voltou.

o filme é essencial para quem gosta de História, para quem gosta de ver imagens da Roma Antiga e também para quem gosta de uma boa adaptação cinematográfica, já que o roteiro foi adaptado do romance homônimo de Lew Wallace. e não custa dar uma olhada no primeiro ganhador de 11 oscares, né? (os dois outros foram Titanic, de James Cameron e O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei, de Peter Jackson)

então seja um forte e encare o filme e sua longa duração. valerá a pena.

Nome original: Ben-Hur.
Ano/País:1959, EUA.
Diretor:William Wyller.
Duração: 212 min.
Roteiro: Karl Tunberg.
Premiações: 11 oscares, 1 BAFTA, mais outros 16 prêmios e 5 nominações.

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Mary Louise Streep

apaixonei-me por ela ao assistir Kramer vs. Kramer, isso quando eu tinha 10 anos e como meu coração sempre foi volúvel, foi na mesma época em que me apaixonei por Jodie Foster (mas dela eu certamente falarei depois) e já faz 19 anos que acompanho a carreira dessa Diva, dessa deusa que o mundo conhece como Meryl Streep.

nomeada quinze vezes ao Oscar, levou a estatueta em somente duas ocasiões o que, ao meu ver, é uma baita injustiça, merecia ganhar em pelo menos outras quatro vezes com entre dois amores, as pontes de Madison, dúvida e adaptação.

extremamente dedicada aos personagens que abraça, aprendeu a tocar violino para filmar música do coração. esse perfeccionismo reflete em suas atuações de maneira extremamente positiva, difícil linkar as personagens de Meryl,pois diferem muito entre si e a atriz lhes confere tanta peculiaridade que por vezes é complicado reconhecer a pessoa que há por trás da personagem.

é o tipo de atriz referência. a fernanda montenegro gringa. e eu recomendo a todos que vejam toda sua filmografia, e em especial o Julie & Julia; onde Meryl dá vida à Julia Child, outra pessoa fantástica e diva em outras paragens.

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Amor em cinco tempos

E se você pudesse iniciar o seu próximo relacionamento pelo fim? É o que propõe, de alguma maneira, o filme de François Ozon. São cinco pequenas histórias do mesmo casal que vão do divórcio, passando por uma crise conjugal, o nascimento do filho, o casamento e, por fim, o primeiro encontro. Tudo isso envolvido por uma bela trilha sonora italiana. A história começa pesada, em um tribunal e, logo após o divórcio, a primeira transa do casal que é mais um estupro consentido do que qualquer outra coisa. É bastante perceptível a fragilidade das duas personages: Marion (Valeria Bruni Tedeschi) e Gilles (Stéphane Freiss). E essa fragilidade vai ganhando outras formas à medida que a história avança: o peso da primeira narrativa dará lugar à leveza da última.

Toda a beleza do filme está mesmo na construção às avessas do relacionamento e nas mudanças físicas e psicológicas que as duas personagens apresentam. Marion que começa como uma mulher frágil, vai se tornando mulher independente ao passar das cenas; Gilles, de homem sisudo e mal humorado, transforma-se em alguém de agradável convivência. O que, talvez, poderia ser explicado pela idéia de que quando nos apaixonamos tendemos a ser um pouco mais altruístas do que o costumeiro para, evidentemente, agradar o outro. Altruísmo esse que vai se desconstruindo enquanto a relação se constrói.

A grande divisão entre leveza e peso que julgo existir nesse filme se dá com o nascimento do filho do casal, exatamente a cena do meio. Marion avisa o marido a respeito do nascimento do filho e Gilles simplesmente não vai encontrá-la na maternidade. Ao contrário, meio perdido, o homem vai almoçar, fuma e depois de um longo tempo é que vai ao encontro da mulher e do filho. O nascimento da criança, de certa maneira, evidencia o rompimento da relação a dois para dar espaço a uma relação a três, repleta de responsabilidades novas que só existem com o nascimento de uma criança.

Não é muito difícil que nos reconheçamos em alguma cena, em alguma situação. O final do filme, que seria o começo do relacionamento do casal, é, para mim, a parte mais bonita: a praiazinha no litoral italiano, Guille e Marion se conhecendo, a cumplicidade que nasce e que deveria perdurar e toda aquela vontade de acreditar que as coisas podem dar certo. Tudo que sentimos quando perdemos a razão e nos encontramos apaixonados.

Nome original: 5×2.
Ano/País:2004, França.
Diretor: François Ozon.
Duração: 90 min.
Roteiro: François Ozon e Emmanuèle Bernheim.
Premiações: Vencedor do prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza em 2005.

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