Arquivo do autor:Verô

Sobre Verô

aprendendo a viver. aprendendo a sorrir. aprendendo a chorar. aprendendo a amar...

“Viver é um descuido prosseguido.”

hoje é um bom dia para falar desse livro que é poesia em prosa. que transcende tudo: Grandes Sertões: Veredas.

“Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível?”

como a vida se desfolha em nós e nós nos desfolhamos pela vida? em quais momentos nos achamos e nos perdemos? em quais esquinhas reconhecemos o outro em nós mesmos? e quando é que nos apercebemos de que não somos mais nós, somos completamente o outro?

o sertão que há no mundo. e nós que existimos nos mais diversos tipos de sertões que há pelo mundo, não falo apenas do sertão físico. falo principalmente daquele emocional. árido de sentimento e cheio de verdades absolutas que, por vezes, roubam todo o encantamento.

e o sertão e o homem se reiventam na simplicidade de uma linguagem reinventada. aquela linguagem que se reinventa em busca de expressar sentimentos até então desconhecidos, essa estranheza de nós. essa maior estranheza de quem somos nesse mundo vasto e por vezes mais árido do que o nosso paladar aguenta.

e as querências e dúvidas do humano personificam-se nas questões de Riobaldo:

“o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o ruím ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança do meio do fel do desespero. Ao que este mundo é muito misturado.”

e quem não precisa de certezas nessa vida? nesse mundo misturado que nos é enfiado goela abaixo? tão macio seria pisar num chão que fosse completamente feito de tijolos bem cimentados, sem qualquer lombada ou declive ou buracos em sua extensão. mas não, o mundo é misturado. e nós, grande parte de nós, seguimos não misturados ao mundo.

e Riobaldo é traído por aquilo que Bakthin chamava de istina, verdades universais. uma pessoa vestida de homem, só pode mesmo ser um homem. e aquele amor todo ficou só neblina até nunca mais.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Your eyes are full of hate, forty-one. That’s good. Hate keeps a man alive. It gives him strength.

o homem que o ódio ajudou a construir.foi o filme que eu mais assisti na vida, sem dúvida. nas minhas noites de insônia na época de moradia da unicamp, era o filme que ia parar no vídeo e quase sempre em companhia de uma pessoa que, à época, significava muito para mim.

Judah Ben-Hur é um príncipe judeu, contemporâneo a Jesus Cristo e suas histórias se desenrolam em paralelo, uma das coisas que eu mais gosto do filme é isso. e a história de Judah é a história da formação de um homem e em sua transformação diante das presepadas da vida, porque se somos frutos de nossas escolhas, somos também frutos das presepadas que essa vida nos apronta. e Ben-Hur perde um amigo e ganha um ódio mortal, ao ver toda sua família esfacelada por uma sucessão de acasos e pela decisão de seu amigo Messala.

o filme também fala de fé. fé em princípios e objetivos. ao ser mandado para o exílio, ele nunca pensa em desistir ou dar-se por vencido, de alguma forma ele voltaria e se vingaria do ex-amigo. encasquetou isso na cabeça e foi, sabendo que de algum modo voltaria e voltou.

o filme é essencial para quem gosta de História, para quem gosta de ver imagens da Roma Antiga e também para quem gosta de uma boa adaptação cinematográfica, já que o roteiro foi adaptado do romance homônimo de Lew Wallace. e não custa dar uma olhada no primeiro ganhador de 11 oscares, né? (os dois outros foram Titanic, de James Cameron e O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei, de Peter Jackson)

então seja um forte e encare o filme e sua longa duração. valerá a pena.

Nome original: Ben-Hur.
Ano/País:1959, EUA.
Diretor:William Wyller.
Duração: 212 min.
Roteiro: Karl Tunberg.
Premiações: 11 oscares, 1 BAFTA, mais outros 16 prêmios e 5 nominações.

Deixe um comentário

Arquivado em Cinema

Mary Louise Streep

apaixonei-me por ela ao assistir Kramer vs. Kramer, isso quando eu tinha 10 anos e como meu coração sempre foi volúvel, foi na mesma época em que me apaixonei por Jodie Foster (mas dela eu certamente falarei depois) e já faz 19 anos que acompanho a carreira dessa Diva, dessa deusa que o mundo conhece como Meryl Streep.

nomeada quinze vezes ao Oscar, levou a estatueta em somente duas ocasiões o que, ao meu ver, é uma baita injustiça, merecia ganhar em pelo menos outras quatro vezes com entre dois amores, as pontes de Madison, dúvida e adaptação.

extremamente dedicada aos personagens que abraça, aprendeu a tocar violino para filmar música do coração. esse perfeccionismo reflete em suas atuações de maneira extremamente positiva, difícil linkar as personagens de Meryl,pois diferem muito entre si e a atriz lhes confere tanta peculiaridade que por vezes é complicado reconhecer a pessoa que há por trás da personagem.

é o tipo de atriz referência. a fernanda montenegro gringa. e eu recomendo a todos que vejam toda sua filmografia, e em especial o Julie & Julia; onde Meryl dá vida à Julia Child, outra pessoa fantástica e diva em outras paragens.

2 Comentários

Arquivado em Cinema