Arquivo do mês: fevereiro 2010

Lemon tree

Depois de muito tempo querendo assistir esse filme consegui finalmente. Acredito que existem várias maneiras de interpretá-lo, a que mais me tocou, talvez até pela minha crescente descrença no gênero humano, foi a da incapacidade das pessoas de olharem para o outro, crendo, dessa maneira, que o único julgamento válido é o que se faz e assim limões são só limões. Não interessa que talvez, para Salma (Hiam Abbass), palestina viúva que herdou do pai uma plantação de limões e dela tira sustento, as árvores tenham história, façam parte da sua vida como fizeram o pai, o marido e como fazem os filhos e o senhor que a ajuda no cultivo e cuidado com as plantas.

 O fato é que, devido à mudança do Ministro da Defesa israelense (Doron Tavory) para uma casa ao lado da sua e de acordo com a declaração das Forças Armadas Israelenses de que a plantação de limões seria uma ameaça à segurança do Ministro, sugere-se a retirada dos mesmos oferecendo uma indenização à proprietária que de maneira bastante corajosa recusa, não só o dinheiro, como a possibilidade de destruírem suas árvores. E mais, Salma vai até a última instância para que seu desejo seja respeitado.

 Não vou tocar na questão Israel e Palestina, Árabes e Judeus, que já está bastante batida embora ainda bastante presente, não é disso que quero falar. O que me fez pensar, o que me irritou o filme todo foi a falta de respeito com o que o outro constrói. Apenas os valores do mais forte é que parecem ter alguma importância, para que o Israel tenha segurança destrói-se a história, uma parte da vida, diga-se de passagem, de várias vidas e não para um bem maior, talvez assim fosse justificável, mas para um “bem” egoísta, por culpa de quem chegou depois e tem mais poder. E é o que vemos todos os dias em menor ou maior escala, por certo que não com limões.

 Mira (Rona Lipaz-Michael), esposa de Israel, parece ser a única consciente do grande ato egoísta e do endosso de seu marido, mas vale lembrar que ela pouco faz para que a situação seja outra, na realidade, mesmo que aparente ser uma mulher forte, é frágil e pouco consegue ajudar. Em contrapartida, a mulher palestina que aparenta fragilidade, mostra-se forte e dura, o que me fez lembrar de uma frase do filme Perdas e Danos: ‘As pessoas feridas são mais perigosas, pois sabem que podem sobreviver”. Salma sabe que vai sobreviver, e sabe que se não lutar vai perder o que lhe resta. Ela escolhe lutar porque é a única escolha que lhe cabe.

 Se tudo o que eu escrevi até agora não te convenceu a assistir esse filme, eu devo dizer que a fotografia é bastante bonita. E se você é do tipo que só assiste filmes de amor, eu devo dizer que há mais amor nesse filme do que nessas comédias românticas que se passam em Nova Iorque (nada contra, é verdade), com a diferença que o amor desse filme se apresenta sob vários aspectos e é um pouco mais grosso e duro, como na vida real. E com pessoas que não têm a capacidade de enxergar um palmo diante do nariz mesmo dizendo que o que faz é para um bem maior. Como disse, não é um filme sobre Israelenses e Palestinos, Judeus e Árabes, muçulmanos, é maior, é um filme sobre gente, independente da nacionalidade, da religião, dos ideais. Ah, vale lembrar também que ele é baseado em fatos reais.

Nome original: Etz Limon.
Ano/País:2008, Israel, Alemanha, França.
Diretor: Richard Curtis.
Duração: 106 min.
Roteiro: Eran Riklis.
Premiações: Prêmio de melhor filme segundo o júri popular no Festival de Berlim (2008).

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