“Viver é um descuido prosseguido.”

hoje é um bom dia para falar desse livro que é poesia em prosa. que transcende tudo: Grandes Sertões: Veredas.

“Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível?”

como a vida se desfolha em nós e nós nos desfolhamos pela vida? em quais momentos nos achamos e nos perdemos? em quais esquinhas reconhecemos o outro em nós mesmos? e quando é que nos apercebemos de que não somos mais nós, somos completamente o outro?

o sertão que há no mundo. e nós que existimos nos mais diversos tipos de sertões que há pelo mundo, não falo apenas do sertão físico. falo principalmente daquele emocional. árido de sentimento e cheio de verdades absolutas que, por vezes, roubam todo o encantamento.

e o sertão e o homem se reiventam na simplicidade de uma linguagem reinventada. aquela linguagem que se reinventa em busca de expressar sentimentos até então desconhecidos, essa estranheza de nós. essa maior estranheza de quem somos nesse mundo vasto e por vezes mais árido do que o nosso paladar aguenta.

e as querências e dúvidas do humano personificam-se nas questões de Riobaldo:

“o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o ruím ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança do meio do fel do desespero. Ao que este mundo é muito misturado.”

e quem não precisa de certezas nessa vida? nesse mundo misturado que nos é enfiado goela abaixo? tão macio seria pisar num chão que fosse completamente feito de tijolos bem cimentados, sem qualquer lombada ou declive ou buracos em sua extensão. mas não, o mundo é misturado. e nós, grande parte de nós, seguimos não misturados ao mundo.

e Riobaldo é traído por aquilo que Bakthin chamava de istina, verdades universais. uma pessoa vestida de homem, só pode mesmo ser um homem. e aquele amor todo ficou só neblina até nunca mais.

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